A teoria da Banalidade do Mal, criada pela filósofa Hannah Arendt, confirma que em uma sociedade, um problema é tão recorrente que torna-se banal, ou seja, passa a ser ignorado e tratado com normalidade. Nesse sentido, é possível fazer uma relação entre essa teoria e o grande desafio presente no Brasil em garantir a valorização da herança cultural africana. Logo, vale ressaltar que, dentre as inúmeras causas que colaboram para a invisibilidade das tradições desses povos, duas são principais: o legado racista deixado pelo histórico escravocrata do Brasil e a negligência educacional em dar visibilidade à memória da cultura afrodescendente.
Primordialmente, é válido citar a música “Negro Drama”, da banda Racionais MC’s, cuja mensagem principal é uma denúncia às dificuldades vividas pelos negros no Brasil. Nesse contexto, sabe-se que os anos de escravidão que ocorreram no país no período de sua colonização marcaram a história com o racismo, a constante e persistente discriminação e, consequentemente, o apagamento da cultura trazida pelos povos da África para o Brasil. Dessa forma, as raízes históricas escravocratas contribuem para a aversão e desvalorização de crenças africanas atualmente.
Ademais, Nelson Mandela — importante figura responsável pelo fim da política de segregação africana — afirmou que a educação é necessária para mudar o mundo. Entretanto, é perceptível na educação brasileira a negligência em ensinar a respeito da cultura afro-brasileira, assim como sua importância para a formação sociocultural do país. Deste modo, a herança africana perde seu reconhecimento e importância, já que é dada a esses povos apenas a posição vulnerável a qual foram submetidos quando escravizados, tornando invisível seu legado cultural.
Portanto, tornam-se necessárias medidas para facilitar a valorização da herança desses povos. Assim, o Ministério da Educação — órgão regulamentador do sistema educacional brasileiro — deve promover, por meio da mudança na grade curricular escolar, a criação de itinerários que sejam específicos para o estudo da cultura afrodescendente, com o fim de tornar conhecido o legado desses povos. Também é preciso a divulgação em rede nacional sobre a importância do combate à discriminação de crenças africanas. Então, a memória africana será vista e valorizada, e sua importância será reconhecida no Brasil.
Raio-X
- Abre com conceito de um pensador e, na mesma introdução, anuncia as duas causas.
- Parágrafo 3 começa com Ademais; a conclusão, com Portanto.
- Repertórios: Hannah Arendt, Racionais MC, Nelson Mandela.
- Proposta com os 5 elementos, e o detalhamento é um aposto que explica quem é o agente.
- O fecho é direto, sem voltar à abertura: os dois jeitos tiram nota máxima.
O avaliador do Inep escreveu: “A redação apresenta um projeto argumentativo bem conduzido, que articula informações, fatos e opiniões de maneira pertinente e coerente.”






